Quem sou eu

Temperamento explosivo,viciada em cafeína,adolescente compulsiva e impulsiva.

segunda-feira, julho 26, 2010

Fria e Calculista



Certo dia ela se encheu.Acordou totalmente revoltada com a vida,empurrou as cobertas de si em um gesto grosseiro quase que violento e desceu de cima da cama em direção ao seu café a base de manteiga e pão.Manteiga e pão sim porque era o que tinha.Um café feito agua descia pela garganta sentiu repulsa.
Ela iria provar a todos que não se importava.E lá vinha ela, sua mãe,pobre mamãe logo pensou .
Ela não os odiava.Não muito pensou.
Se aprontou demoradamente pois organizava os pensamentos,tinha expectativas para aquele dia.
Foi em direção ao lugar que desejava,o frio que sentia servia como um encorajamento pois adorava o frio e isto a deixara de bom humor por conseguinte não se importou em olhar demoradamente para aquelas pessoas,porque normalmente,as ignora.
O que via?Uma senhora,um rapaz,e uma criança.Aos outros nem se importava.
Olhava com insistência para os lados,o que seria que acontecesse se visse algum conhecido?Não queria nem pensar.
-Moça quero um cigarro -ela disse.Se surpreeendeu com seu tom de voz altivo,quase como em um comando.
A atendente a olhou por alguns instantes,nesses instantes Sarah cerrou os punhos .Sentiu a respiração falhar,e as pernas trairem-lhe a confiança.Finalmente a atendente disse:
-Não acha que é muito nova para fumar?
Em tom de ironia disse:
-Não acha que deve fazer o que mandam?
Aí foi o clímax,houve uma enorme tensão entre as duas,por um longo momento puseram-se a encarar uma a outra,quase em um duelo,quando finalmente a atendente vencida disse contraditoriamente:
-Tome,é quatro e sessenta
A moça ainda com o ar teatral pagou e foi embora com os cigarros.Olhou em volta .Quando teve certeza que ninguém de conhecido a via e que a atendente mecheriqueira a havia esquecido,soltou o ar preso por horas.Meu Deus de onde veio aquela força ?Pensou.
Pois bem,era hora.Pegou o isqueiro e o cigarro.Deu a primeira tragada.Tossiu.Deu a segunda e jogou a fumaça fora.Aquele cigarro era tão atrativo quanto a agulha que sentia falta.
A partir daquele momento ela sabia que já não tinha mais volta.Era mortal.
Mas,já sabia o que fazer,não era mais nenhuma criança.Não se importava com ninguém pois não precisava de ninguém.
Odiava que se intrometessem.Vivia sozinha.
Por um instante ficou a olha-los.Eram esquisitos,riu consigo mesma,sentia-se poderosa .
Por alguns momentos esqueceu-se do medo que sentia,esqueceu-se do pudor e sentou em um banco frente a uma loja de roupas .Brincou com o cigarro que estava em suas mãos e surpreendeu-se com a destreza de que o manipulava.Parecia tão frágil?Pois bem,agora era dona de si mesma.
Como posso por um fim nisso?Tão rapidamente quanto se sucedeu tudo isso pôs-se a chorar como uma criança e percebeu que ninguem iria afagar os teus cabelos e dizer que tudo ficaria bem porque ela havia afastado a todos por sinal.
Jogou a discordia fora,sem não antes deixar de dar uma tragada triunfal.Sentiu seu peito arder.Mas não podia morrer assim.
Tentou uma aproximação,pegou o cartão e esperou...esperou...
-Alô?-A voz do outro lado da linha dizia.Seu sangue gelou...quando ia falar a voz grossa masculina se adiantou e disse:
-Olha,eu sei que é voçê.Alô?Tá aí?Sarah quando estiver pronta para voltar,estarei aqui.Não teforçarei a mais nada ok?Por fim desligou.
Ela após desligar o telefone ficou por alguns instantes intacta.Escorreu uma lágrima pela sua face.Mal podia acreditar no que ouvira,agora neste exato momento gostaria desair correndoe cair-lhe em seus braços mas...suas pernas já não a obedeciam,seu corpo permanecia por todo esse tempo transcorrido gélido,intacto,imóvel.
Sentiu o chão falhar.Caiu.Morreu.

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